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quinta-feira, 4 de junho de 2009

PCP acusa PS de permitir que comissão «seja subjugada» à vontade de Vítor Constâncio

«Por imposição exclusiva do PS, a comissão de inquérito e, por maioria de razão, a Assembleia da República submeteu-se à vontade majestática do Banco de Portugal e do Dr. Vítor Constâncio», apontou o deputado comunista Honório Novo, num debate de actualidade proposto pela bancada do PCP, criticando a «oposição obstinada» do PS à proposta sobre a entrega pelo Banco de Portugal (BP) de informação à comissão parlamentar de inquérito ao caso BPN.

Acusando Vítor Constâncio de estar a incorrer num «crime de desobediência classificada» ao recusar-se a «levantar o segredo profissional» perante a comissão de inquérito, o deputado do PCP acrescentou: «ou o PS muda e deixa de proteger Vítor Constâncio ou as conclusões e recomendações desta comissão (…) arriscam-se a ser quase tão inócuas como foram as do caso BCP».

O papel da supervisão bancária relativamente ao BPN foi, de resto, criticado por todas as bancadas, com o deputado do Bloco de Esquerda João Semedo a defender ter chegado a hora, não apenas de «mudar o modelo de supervisão», mas também de «mudar de supervisor».

«Houve muitíssimos sinais, muitíssimos indícios (…) Se o Banco de Portugal quisesse podia ter visto muito mais do que viu. Só não quis perceber porque não quis perceber (…) está na altura de mudar de supervisor, que deu uma grande ajuda à coutada de gangsters que andaram anos e anos a cometer crimes financeiros», disse.

A mesma posição foi expressa pelo deputado do CDS-PP Pedro Mota Soares, para quem "é preciso mudar o governador do BP" que, acusou, tinha desde 2007 conhecimento de irregularidades no banco e actuou «como um bombeiro que vê a casa a arder, não fez nada e agora vem dizer que não podia fazer nada».

Pedro Mota Soares criticou ainda o que considerou ser a recusa de Vítor Constâncio em «colaborar com um órgão de soberania com legitimidade democrática».

«O país já percebeu que o governador do BP foi relapso, incompetente e fez mal o seu trabalho», afirmou o deputado democrata-cristão.

Pelo PSD, o deputado Hugo Velosa apontou também as «falhas de supervisão durante vários anos» do BP, que em relação ao BPN se «conformou com respostas verbais, deixou passar o tempo e não actuou perante evidências».

«Durante sete anos praticaram-se grandes fraudes no BPN e o BP não deu por nada e não fez nada para acabar com o regabofe», apontou, considerando «inaceitável» a recusa de Vítor Constâncio de «entregar documentos» à comissão de inquérito parlamentar.