Ferreira Diniz prometeu fazer revelações bombásticas, mas quem acabou por quebrar ontem o silêncio foi Hugo Marçal, advogado de Elvas que defendeu Carlos Silvino e que garante que o ex-motorista nunca incriminou os arguidos.
"Nunca, nunca, mas nunca o senhor Carlos Silvino me falou das pessoas que estão aqui", garantiu Hugo Marçal, referindo-se à época em que defendeu o ex-motorista – entre Dezembro de 2002 e Janeiro de 2003 – depois de o actual advogado, José Maria Martins, ter assegurado ter informações de que o arguido de Elvas queria incriminar os restantes arguidos e que, por isso, a Ordem dos Advogados não o desvinculou do sigilo profissional.
Martins requereu ao tribunal a junção ao processo da resposta da Ordem ao pedido de Marçal, mas como não foi encontrado o documento, a sessão foi interrompida e o ex-advogado falará no dia 13.
Na mesma audiência, Martins lavrou um protesto contra o tribunal, acusando a juíza de dualidade de critérios no tratamento dos arguidos, e desafiou Ana Peres a dizer se "não está a ser pressionada pelo poder político" e se os portugueses podem continuar a confiar na sua "isenção e imparcialidade".
Durante a tarde da 431ª sessão era esperado um depoimento de Ferreira Diniz, que garantiu ter "factos graves sobre pessoas importantes" para revelar, mas o médico acabou por não falar.
APONTAMENTOS
431 SESSÕES
À 431.ª audiência terminaram as alegações finais do processo de pedofilia da Casa Pia. Esta fase do processo teve início a 24 de Novembro.
CRUZ VAI FALAR
Carlos Cruz admite voltar a falar na próxima audiência, marcada para 26 de Fevereiro. O apresentador já tinha anunciado a intenção e diz estar ainda a ponderar.
RESPOSTAS
As defesas de Ferreira Diniz e de Gertrudes Nunes responderam ontem ao Ministério Público. Os advogados voltaram a defender a absolvição.