LUA

quinta-feira, 9 de julho de 2009

Homicida de bebé fica solta


Adelaide não compareceu em tribunal por ter sido mãe na segunda-feira

Gaia: Quatro anos de pena suspensa por asfixiar e congelar o filho


Adelaide Silva estrangulou e congelou o filho recém-nascido, em Fevereiro de 2008, mas ficou ontem livre da cadeia por decisão do Tribunal de Gaia, que a condenou a quatro anos de pena suspensa pelo infanticídio e ocultação de cadáver. Depois de na segunda-feira ter dado à luz o quinto filho, Adelaide não foi ao tribunal para ouvir a sentença.


Algumas alterações dos factos constantes na Acusação livraram Adelaide – indiciada pelo crime de homicídio qualificado – de um destino que parecia quase certo: a prisão. O tribunal contrariou a tese do Ministério Público, que afirmava que a mulher premeditou desde o primeiro dia a morte do filho, e considerou que na altura dos factos Adelaide 'estava deprimida e em negação da realidade'.

Adelaide teve um menino esta segunda-feira. E foi precisamente essa gravidez que deixou o juiz estupefacto no início do julgamento, a 8 de Junho. Na leitura do acórdão, o magistrado deu como provado que Adelaide matou o filho por asfixia.

'A arguida sentiu contracções fortes, foi à casa de banho e com a ajuda da mão retirou o feto do útero. Em seguida tapou a boca e o nariz do bebé, o que levou à sua morte por asfixia' disse o juiz.

Ficou ainda provado que depois de matar o bebé Adelaide congelou o corpo numa arca frigorífica, para que este fosse ali 'confundido com os alimentos'.

O corpo do recém-nascido permaneceu escondido dentro da arca durante oito dias, até que uma enfermeira, amiga de Adelaide Silva, a confrontou. A mulher, que até então dizia ter um fibroma, contou o que fez, atitude que voltou a ter na última sessão de julgamento.

‘‘Fiquei com o bebé no meu colo e tinha uma das mãos no pescoço dele. Não sei quanto tempo fiquei assim, a apertá-lo', confessou a mulher na sala de audiências.

À saída do tribunal o advogado de Defesa, Rui Seara, mostrou-se satisfeito. 'É uma pena mais do que razoável, desde o início que devia ter sido acusada de infanticídio, nunca de homicídio', explicou.

PORMENORES

MOLDURA PENAL

Se Adelaide fosse condenada por homicídio qualificado, como o MP pediu nas alegações finais, a pena aplicada seria entre 8 a 25 anos de prisão. Já quando se trata de um crime de infanticídio, a pena máxima é de cinco anos, que podem ser suspensos.

AMA EM TRIBUNAL

Margarida, ama da filha mais nova de Adelaide, esteve ontem presente em tribunal. A ama, que continua a manter uma boa relação com Adelaide Silva, saiu do tribunal satisfeita por a amiga não ir para a prisão.

TESTEMUNHO DO FILHO

O filho mais velho da mulher, com 16 anos, depôs em tribunal a favor da mãe. O jovem pediu inclusive ao juiz que ela não fosse condenada.

PSICÓLOGOS

O juiz determinou que Adelaide deve continuar a ser seguida por psicólogos. Para além disso, a sua reinserção na sociedade deve ser acompanhada.