sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Protesta na rua contra decisão do tribunal



Uma mulher pendurou, ontem, quinat-feira, um cartaz junto às escadas do Tribunal da Relação do Porto, acusando a Justiça de "incúria" e o primo de uma tia, octogenária, de Chaves, de "sequestro e roubo". O visado negou, ao JN, as acusações.

Paula Seara, de 51 anos, acusa a Justiça portuguesa de "incúria" no processo no qual pede que a sua tia, Maria Amélia Santos, de 89 anos, seja dada como interdita, por demência. Paula Santos acusa as autoridades de encobrirem a situação de "sequestro" em que vive a tia, "enclausurada" em casa de um primo distante, António Pizarro. O visado nega todas as acusações de que é alvo.

Ontem, Paula Seara pendurou um cartaz junto às escadas de acesso ao Palácio da Justiça do Porto, onde, explicitamente, acusa o primo de sequestro, com conivência do Tribunal de Chaves. Paula Seara permaneceu ao lado do cartaz durante toda a manhã. Com o protesto diz que pretende "chamar a atenção para um caso de negligência da Justiça".

Ao JN, afirmou que, em 8 de Maio de 2008, a tia, Maria Amélia terá sido levada, contra a sua vontade por António Pizarro, primo da idosa, para viver em casa dele. Desde então, doou algum do seu património ao primo. Segundo Paula Seara, a tia "está notoriamente demente, logo estas doações não foram feitas por vontade própria".

Paula Seara argumenta que foi com base no estado da tia que intentou uma acção de interdição contra Maria Amélia, o que foi indeferido pelo Tribunal de Chaves. Dos autos da acção consta um atestado médico, a que o JN teve acesso, que refere que Maria Amélia está em pleno uso das suas capacidades cognitivas. Mas Paula Seara diz não entender como "tal foi possível se quando foi ouvida ela não disse coisa com coisa, e se há documentos que atestam a sua demência".