sexta-feira, 20 de novembro de 2009

"Vou persegui-lo toda a vida"


Quando, em 2005, descobriu que o filho de oito anos tinha sido abusado sexualmente por um professor do externato que frequentava, o mundo de Ana Rita desabou. A partir de então, passou cada dia dos três anos seguintes à espera do momento em que iria olhar fixamente o abusador e ver a sua reacção quando o juiz o mandasse para a prisão. Mas isso nunca aconteceu.



O professor estagiário, que acompanhava os alunos na sala de estudo, foi condenado em Dezembro de 2008 a dois anos e meio de pena suspensa pelo abuso sexual de Pedro (nome fictício) e de outras cinco crianças do mesmo colégio. Saiu em liberdade e poderá voltar a dar aulas a menores já em 2011, quando acabar o período de interdição decretado pelo tribunal.

No dia da sentença, Ana Rita perdeu toda a confiança na justiça. Mas ganhou uma certeza: "Hei-de descobrir sempre a escola onde estiver a dar aulas para poder alertar os pais. Vou persegui-lo toda a minha vida". Mal saiu do julgamento, começou a cumprir a promessa que fizera. Sentou-se ao computador e num e-mail escreveu em maiúsculas o nome do docente. "Pode vir a ser o professor dos vossos filhos. Protejam-nos porque agora já sabem o perigo que ele representa! Eu não tive essa oportunidade". E enviou para todas as pessoas que conhecia.

Rapidamente a mensagem de correio electrónico correu o país. Entre as centenas de respostas que recebeu, houve quem se disponibilizasse para espancar o homem e quem desabafasse, na primeira pessoa, abusos sexuais sofridos na infância. E houve ainda muitos pais que lhe escreveram para contar como também eles passaram pelo mesmo.