
É esperada para breve uma carta de Bento XVI sobre pedofilia que pode tornar-se uma questão decisiva do pontificado.
O escândalo de padres que abusaram sexualmente de crianças e jovens começou nos Estados Unidos e atinge agora a Europa: Irlanda, Áustria, Holanda e Alemanha, onde há mais de 170 denúncias, algumas na diocese de Munique, onde Joseph Ratzinger foi arcebispo no final dos anos 70, o que leva as vítimas a pedirem esclarecimentos a Bento XVI, que tem sido duro com os bispos que ocultaram abusos sexuais nas suas dioceses.
Um dos casos passou-se numa escola e coro de Ratisbona e atinge o irmão do Papa. Georg Ratzinger diz que não se lembra de qualquer suspeita de abusos sexuais. Lamenta os alegados casos de pedofilia, que terão acontecido antes de ser o regente do coro, considerando-os uma "história triste".
Mas o irmão do Papa está envolvido noutra dimensão do problema. O próprio já admitiu ter dado bofetadas a alguns alunos, no que, apesar da distância no tempo, está a ser considerado um abuso físico intolerável.
Wolfgang, hoje com 52 anos, cantava no coro dirigido por Georg Ratzinger em 1967. Conta que o irmão do Papa era duro com as crianças e o agrediu na face uma vez. Era particularmente temperamental quando se tratava de garantir a qualidade do coro.
Os relatos de um ensino com alguma brutalidade na Alemanha prolongam-se no tempo. Rudolf foi aluno da escola católica que recrutava as crianças para o coro de Ratisbona, em 1981 e 82. Lembra-se de um director que um dia bateu num rapaz e lhe atirou uma cadeira que se partiu em pedaços.