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sexta-feira, 5 de março de 2010

Ex-gestor da Expo condenado a 12 anos por cocaína escondida em polvos

João Caldeira, ex-gestor da EXPO, foi condenado nesta sexta-feira a 12 anos de prisão devido a tráfico de cocaína.

Além de João Caldeira, foram condenados Fernanda Ramos (11 anos), Pedro Fernandes (7 anos e meio) e José Carlos Nunes, da GNR, (8 anos).

O tribunal absolveu dois arguidos, José Teles Vivas e Isidoro Gago.

O ex-gestor da Expo-98 João Caldeira negou hoje estar envolvido no tráfico de cocaína oriunda da Venezuela e que chegou ao porto de Lisboa em Dezembro de 2007, dissimulada num contentor com polvo congelado.

Na primeira sessão do julgamento, a decorrer nas Varas Criminais de Lisboa, no Parque das Nações, a juíza Clarisse Gonçalves apresentou os factos relacionados com este caso perante os seis arguidos pronunciados pelo crime de tráfico de estupefacientes agravado e começou a ouvir um deles, João Caldeira.

«Nunca foi do meu conhecimento que o polvo trouxesse cocaína», afirmou João Caldeira, que referiu ter sido somente «agente operador», cuja tarefa estaria relacionada com os procedimentos legais necessários à importação.

João Caldeira acrescentou que receberia por esse trabalho 10 a 15 mil euros e a arguida Fernanda Ramos seria paga no mesmo montante.

O arguido disse tratar-se de uma importação de polvo da Venezuela por uma empresa espanhola, que pretendia que a mercadoria viesse para Portugal, por ser «mais económico», para depois ser enviada para Espanha.

Em Dezembro de 2007 foram apreendidas 1,4 toneladas de cocaína, vinda da Venezuela, em contentores onde eram transportadas 600 caixas com polvo. A droga, que vinha dissimulada, daria para cerca de sete milhões de doses e teria um valor de mercado de mais de 280 milhões de euros, referiu hoje a magistrada judicial.

A participação na operação em Portugal daria origem ao pagamento de 500 mil euros, um montante a dividir pelos arguidos, segundo também a acusação, mas João Caldeira alegou desconhecer esse valor.

João Caldeira foi detido no Brasil, tendo sido extraditado para Portugal, encontrando-se em prisão preventiva.