
Os governantes dos últimos 10 anos deviam ser julgados pelo estado em que deixaram o país. É o que defende o antigo ministro das Finanças, Medina Carreira, para quem não se deve apontar o dedo apenas a Alberto João Jardim na gestão das contas públicas. «Estamos com as baterias contra o dr. João Jardim», mas «temos muita gente que à frente dele devia sentar-se no banco dos réus. As pessoas que puseram este País no estado em que está deveriam ser julgadas», disse Medina Carreira, citado pela Lusa, durante uma tertúlia na Figueira da Foz.
O ex-ministro relativizou o caso do buraco financeiro da Madeira. «Não só a Madeira. Quem pôs o País de pantanas como está, se houvesse lei aplicável, também devia ir aos tribunais», respondeu a Fátima Campos Ferreira, anfitriã da tertúlia Conversas do Casino, quando questionado sobre se o caso madeirense devia ser do foro penal.
Os governantes dos últimos 10 anos têm muito por que responder: «Era seleccioná-los, porque houve uma data de mentirosos a governar».
Medina Carreira alegou que o caso da Madeira «só existe» porque Portugal «chegou ao estado de abandalhamento completo» e que a questão só foi tornada pública dado o período eleitoral na região autónoma.
«É fruto muito de haver eleições agora. Se não houvesse isto passava relativamente bem».
E, voltou a insistir, «antes da Madeira, houve várias Madeiras» em Portugal.
«Por toda a parte se nota que falta dinheiro aqui e ali. Rouba-se aqui. Rouba-se acolá. Nunca ninguém é julgado. Nunca ninguém presta contas. Eu atribuo uma importância relativa à Madeira».
Sobre eventuais novas «surpresas» em termos de dívida escondida, Medina Carreira disse que em Portugal «tudo é possível em matéria de dinheiro» num Estado «onde realmente não há rigor, não há seriedade, não há verdade».