
Aos 15 anos, ‘Maria’ tem uma longa e triste história de vida para contar. Mais de metade da sua existência foi passada a sofrer em silêncio, aterrorizada, debaixo do mesmo tecto do homem que a sujeitava a todos os tipos de práticas sexuais. Desde os seis anos que a criança era consecutivamente violada dentro de casa pelo próprio pai, um técnico de electromecânica com 38 anos, num apartamento onde também vivia a mulher do pedófilo, mãe da vítima, nos arredores de Lisboa.
O inferno de ‘Maria’ só terminou na última segunda-feira, o dia em que a rapariga se encheu de coragem e decidiu desabafar na escola. Foi a forma encontrada para justificar a colegas e professores o facto de andar tão triste. Descreveu as práticas sexuais a que o seu próprio pai a obrigava desde a infância – e a direcção da escola avisou de imediato a Comissão de Protecção de Crianças e Jovens em Risco da zona, que deslocou psicólogos para o estabelecimento de ensino.
Foi esta entidade que alertou a secção de combate a crimes sexuais da Polícia Judiciária de Lisboa, que depois de ouvir os relatos da vítima não teve dúvidas: o predador sexual, pai de ‘Maria’, acabou detido pelos inspectores no próprio dia.
O suspeito de pedofilia, indiciado pelo crime de abuso sexual de criança, foi ontem interrogado em tribunal, tendo o juiz de instrução criminal optado pela medida de coacção mais grave, prisão preventiva – situação em que se deverá manter até ao julgamento. Longe da filha.
Quanto à mãe de ‘Maria’, que durante todos estes anos foi casada com o predador sexual e viveu debaixo do mesmo tecto onde se passaram os crimes, uma fonte policial adiantou ontem ao CM que esta nunca se terá apercebido do comportamento do marido em relação à filha menor durante os últimos nove anos.
O pedófilo arrisca em julgamento condenação a uma pena máxima de oito anos de cadeia, que pode ser agravada em mais dois anos e meio por a vítima ser a própria filha.
OUTROS CASOS
MONSTRO DE BENAVENTE
Em Abril, o Tribunal de Benavente condenou a 22 anos de prisão um homem que violou as duas filhas ao longo de 12 anos. Hoje com 17 e 19 anos, as raparigas contaram o terror por que passaram às mãos do próprio pai, um homem de 46 anos e com problemas de alcoolismo. A filha mais velha confessou que vivia "com medo de engravidar do pai".
QUEIXA NA ESCOLA
Tal como aconteceu com ‘Maria’, uma rapariga de 15 anos, residente em Torres Vedras, só se livrou dos abusos sexuais por parte do pai quando se queixou na escola. O homem, de 43 anos, violava a menor há 6 anos. Está na cadeia desde Maio.
VIOLOU GÉMEAS
Na última terça-feira, o CM noticiou a detenção de um homem de 26 anos, suspeito de violar duas irmãs gémeas de 13 anos, que eram suas familiares. O suspeito foi libertado após ter sido ouvido por um juiz do Tribunal de Loures.