O contrato-promessa de compra e venda da La Granjilla Corporation, empresa do empresário libanês El-Assir sediada no Panamá, é um dos documentos que mais comprometem a participação de Dias Loureiro no negócio de Porto Rico. Tudo porque entre a compra, a venda e a recompra da Biometrics Imagineering (MI), três operações realizadas pela Sociedade Lusa de Negócios (SLN) no mesmo dia de Novembro de 2001, existe um mistério sobre uma diferença de dez milhões de dólares. Por isso, as autoridades estão a passar todos os documentos já apreendidos a pente-fino, a fim de se perceber para onde foi o dinheiro e quem terá ficado com as verbas.
Ao que o CM apurou, o contrato--promessa para a compra da La Granjilla, assinado a 30 de Novembro de 2001 por Dias Loureiro, Oliveira e Costa e um representante daquela empresa, integra o conjunto de diversos documentos apreendidos pelas autoridades nos últimos meses. Naquele dia de Novembro de 2001, foram assinados três contratos: a SLN adquire 25 por cento da Biometrics Imagineering por 31,25 milhões de dólares, vende esta participação ao Excellence Assets Fund (EAF) por igual valor e depois compra o EAF à La Granjilla por 21 milhões de euros, 'um diferencial injustificado', como Nuno Melo salientou na audição de Dias Loureiro na Comissão de Inquérito Parlamentar ao caso BPN, a 5 de Maio.
Por isso, o deputado democrata-cristão não resistiu a perguntar: 'Portanto, para onde foram estes dez milhões de dólares? [11,1 milhões de euros, à época]', como refere a acta da audição. Em resposta, Dias Loureiro foi categórico: 'É um contrato de promessa de compra e venda que, pelos vistos, nunca foi efectivado, porque as acções continuavam na posse do EAF.'
Só que Nuno Melo diz que 'há os relatórios do Luxemburgo a propósito do Fundo [EAF], que registam esta aquisição, tal e qual ela aconteceu'. E João Semedo, do BE, acaba por precisar que 'nas contas da SLN estão quatro cheques dirigidos à La Granjilla exactamente no valor de 21 milhões de dólares, três deles emitidos pelo BPN Cayman e o quarto, mais volumoso, no valor de 19,66 milhões de dólares, proveniente do Banco Insular'.
Ao DCIAP, que tem dois investigadores da Polícia Judiciária a trabalharem no caso a tempo inteiro, cabe averiguar o 'diferencial injustificado' de dez milhões de euros no negócio de Porto Rico