O Banco Português de Negócio (BPN), à época liderado por Oliveira e Costa, pagou 1,75 milhões de euros a uma empresa com sede em Londres pela cedência dos direitos de imagem, som e voz do ex-seleccionador nacional, o brasileiro Luiz Felipe Scolari.
O contrato, a que o CM teve acesso, foi assinado com a Chaterella Investors Limited em 2004, logo após a realização do campeonato europeu de futebol, e por um período de dois anos. De acordo com o documento, o valor seria pago em 24 prestações mensais, no valor de 72,916 mil euros cada.
O objectivo do BPN era usar o som, a voz e a imagem de Scolari na 'promoção e publicidade das marcas, produtos e serviços comercializados' pelo banco, bem como a participação nas 'acções promocionais' realizadas pelo grupo .
Ao CM, fonte conhecedora do processo confirma que a Chaterella surge nas contas do BPN como 'um veículo usado para pagamentos a Scolari'.
Em Junho de 2008, o ‘Sol’ avançou que o ex-seleccionador estava a ser investigado por alegada 'fuga ao Fisco', estando em causa 'pagamentos através de um instituição financeira com destino a uma offshore'. Nessa altura, Luiz Felipe Scolari desmentiu. ´
MADAÍL COM 26 MIL ACÇÕES NA EX-DONA DO BPN
Gilberto Parca Madaíl, actual presidente da Federação Portuguesa de Futebol, é um dos muitos pequenos accionistas da Sociedade Lusa de Negócios (SLN), a antiga dona do BPN.
Segundo informação consultada pelo Correio da Manhã , Gilberto Madaíl tem 26 250 acções do grupo, o que representa 0,006% do capital da SLN.
Recorde-se que a ligação da Federação Portuguesa de Futebol ao BPN foi bastante próxima, tendo inclusive o banco assinado um acordo tripartido com a Federação, em que assumia o pagamento de um terço do salário de Luiz Felipe Scolari, ou seja, 800 mil euros de um total de 2,3 milhões de euros anuais que o então seleccionador recebeu. O BPN foi igualmente escolhido para ser parceiro da Federação durante o Euro’2004.
MOEDAS COMEMORATIVAS DO EURO'2004 SEM SOLUÇÃO
O Banco Português de Negócios (BPN) terá de suportar os prejuízos decorrentes do negócio das moedas comemorativas do Euro’2004, que ascendem a 40 milhões de euros. Segundo apurou o CM, as moedas encontram-se depositadas na caixa-forte do BPN, na sede do banco, e a actual administração ainda aguarda por uma resposta do Banco de Portugal.
Miguel Cadilhe garantiu que em Setembro de 2008 existia 'um acordo com o Banco de Portugal para levar este tipo de activo [as moedas] progressivamente a zero', uma alienação que garantiu estar concretizada 'até ao início de 2009'. O governador admitiu que o supervisor 'está a analisar a situação', mas sublinhou que o assunto só será público 'quando e se estiver resolvido'. n A.G.