LUA

terça-feira, 9 de junho de 2009

Família russa mata cães de Alexandra

"As cinco cadelinhas desapareceram, ficou só um cãozinho", diz Alexandra. "A Lúcia está triste porque perdeu as filhas", lamenta a menina, enquanto a cadela uiva e procura, em vão, as filhotas dentro da casota. Alexandra entra pela pequena porta da casota, pega no único sobrevivente, um cachorro branco, abraça-o e diz: "Este vai ficar para mim."

Natália, a mãe biológica da menina, tem outra explicação: "Deitámos as cadelas fora porque crescem, têm filhos e nós não temos condições."

O irmão de Natália, Andrei, que mal se segura nas pernas depois de mais uma pesada dose de álcool, acrescenta que ele próprio enterrou os bichos. "Mas à menina dissemos que tinham desaparecido durante a noite, para não a incomodar", explica.

Depois de comer a sopa, Alexandra sai para a rua feliz porque a mãe a autorizou a libertar Lúcia. Livre da corrente, a cadela corre atrás da menina e dá voltas à mesa numa correria.

Enquanto conversa com os jornalistas e acende cigarro após cigarro, Natália vai dando à cadela pequenos pedaços de carne da sopa que acabara de fazer para a família. Alexandra vira a atenção para os álbuns de pintura, que tem no sofá, e tenta copiar as letras russas.

"Stenka, Stenka; Potolok; Dve- okochki; Triim, Zvonok" (Parede, parede; tecto; dois olhos; trimm, uma campainha), recita Alexandra.

Natália Zarubina sorri de contente ao constatar os êxitos da filha na língua russa.

"A Alexandra está a entrar bem na vida russa, ontem já brincou com uma menina da mesma idade", declara Natália, sublinhando uma vez mais que o seu objectivo é refazer a vida na Rússia.