LUA

quarta-feira, 17 de junho de 2009

Mãe adolescente acaba greve de fome e avó da criança assume protesto

Veja o vídeo aqui.

A mãe adolescente de uma criança que a Justiça decidiu dar para adopção que há três dias está em greve de fome anunciou hoje que vai parar com o protesto, sendo agora a avó do menino que está sem comer.

Depois de Ana Rita Leonardo, de 15 anos, e os pais terem sido chamados hoje de manhã pela Comissão de Protecção de Menores de Cascais, que os "ameaçou" de retirarem a guarda da menor e entregá-la a uma instituição caso continuasse com esse comportamento, a jovem decidiu começar a comer, informando que a greve de fome passará agora a ser feita pela sua mãe.

"A minha advogada disse-me que era melhor não contrariar e por isso vou parar com a greve de fome, que vai a partir de agora ser feita pela minha mãe", afirmou a jovem à Agência Lusa, sublinhando que a decisão foi tomada "pelo bem do Martim".

Graça Leonardo, mãe de Ana Rita, afirmou à Lusa que a greve de fome é uma "decisão pensada e firme" que só vai terminar quando tiver o neto à sua frente, temendo que a chegada do Verão leve o tribunal a adiar o caso.

"Se o Martim estava para adopção com carácter de urgência, agora que seja devolvido à família também com carácter de urgência", disse.

Segundo a mãe da jovem, que se mostra "cansada mas não derrotada", a decisão de iniciar a greve de fome teve o apoio de toda a família e amigos.

"Estou de rastos, mas não vou desistir", garantiu.

"Vou assumir esta greve de fome e vou continuar a dormir à porta do Tribunal de Cascais, até que seja tomada a decisão de devolver o Martim", acrescentou.

Quanto ao apoio manifestado pelo director do Refúgio Aboim Ascensão, Luís Villas-Boas, que defendeu hoje que o caso deve ser reavaliado e que o Martim deve ser entregue à mãe biológica, Graça Leonardo admitiu que lhe foi devolvida a esperança de reaver o neto.

"Sempre disse à minha filha que o Villas-Boas ía devolver o Martim", afirmou.

No dia 26 de Fevereiro de 2007 as assistentes sociais de Cascais levaram o Martim para a instituição Refúgio Aboim Ascensão, em Faro, no Algarve, alegando que Ana Rita não teria condições para cuidar do filho.

Em Julho de 2007 foi tomada a primeira decisão judicial de que o Martim iria ser dado para adopção, na qual a família recorreu com sucesso, mas a 20 de Dezembro de 2008, na última visita de Ana Rita, o Martim terá ficado emocionalmente perturbado e as visitas foram canceladas.

Há seis meses que Ana Rita não vê o filho e não tem notícias dele. A 21 de Maio foi informada de que o filho seria dado para adopção.