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quarta-feira, 17 de junho de 2009

Visabeira tem capital do Estado e é suspeita de fraude

Processo que levou a buscas na Visabeira resulta da "Operação Furação". Em causa estão suspeitas de fraude fiscal qualificada e branqueamento de capitais, num esquema que envolve a simulação de transacções comerciais de forma a iludir a Administração Fiscal.

Empresas do grupo Visabeira, que tem o Estado como segundo maior accionista, são suspeitas de fraude fiscal qualificada e branqueamento de capitais. Ontem, uma equipa de procuradores do Ministério Público, elementos da Inspecção Tributária e militares da Brigada Fiscal fizeram buscas à sede da empresa, em Viseu, e terão também recolhido elementos na casa de um dos administradores. Em causa, segundo apurou o DN junto de fonte ligada à investigação, está o mesmo esquema de fraude detectado na "Operação Furacão", o qual passa pela simulação de trocas comerciais para posterior abate em sede de IVA e de IRC.

No centro da investigação deste processo - "um filho da Operação Furacão", como descreveu ao DN um investigador - está a Benetrónica, uma participada que actua no comércio internacional. O porta-voz do grupo confirmou que o alvo da inspecção é esta empresa "e os exercícios fiscais de 2000 a 2005".

A Benetrónica é uma empresa ligada a uma sub-holding, a Visabeira Investimentos, que concentra os investimentos financeiros e que, segundo dados dos operadores financeiros, registou, em 2007, três milhões de euros de exportações, sobretudo cerâmicas, materiais de construção, vinhos e frutas vendidos para todo o mundo.

Pela primeira vez em processos relacionados com a Operação Furacão, os investigadores entraram numa empresa em que o Estado é um dos principais accionistas, através da Caixa Geral de Depósitos (CGD) e de uma socieade de capital de risco controlada pela Agência de Investimento e Comércio Externo de Portugal (ver quadro nesta página). Ambos têm administradores delegados no grupo. Pela CGD está Francisco Bandeira, actual presidente do BPN. António Xavier da Costa é o administrador nomeado pela AICEP, Capital Global.

A CGD é, segundo fontes contactadas pelo DN, um dos principais financiadores do grupo. E, como banco, tem até produtos directamente ligados à empresa de Viseu, como o cartão de crédito Visabeira, que dá descontos em alguns produtos do grupo liderado por Fernando Campos Nunes.

Durante a tarde de ontem, chegaram a circular informações de que existiriam outros dois alvos das buscas: a compra da Vista Alegre e da empresa Bordalo Pinheiro pelo Grupo Visabeira. Ambos os negócios foram concretizados este ano, sendo que no caso da Bordalo Pinheiro chegou a especular-se sobre um eventual "empurrão" do Governo, que poderia estar a braços com mais um problema de desemprego.

O Grupo Visabeira tem interesses diversificados, que vão da indústria ao turismo ou ao imobiliário. Recentemente, inaugurou um resort de luxo em Moçambique, uma cerimónia que contou com a presença do Presidente da República, Cavaco Silva. O presidente do grupo com sede em Viseu também viajou, há poucas semanas, com o ministro da Economia, Manuel Pinho, num périplo por Abu Dhabi e no Dubai. Tal como o DN online adiantou a meio da manhã de ontem, a Polícia Judiciária não participou nas acções de busca que decorreram por todo o País.