José Mourinho falou ontem das críticas que têm sido feitas à transferência milionária de Cristiano Ronaldo para o Real Madrid, não admitindo alguns comentários feitos por pessoas ligadas ao futebol. "Não me consigo pôr numa posição crítica.
Têm dinheiro, pagam. O Manchester [United] aceitou, o Cristiano aceitou. O Cristiano está contente, o Manchester está contente, senão não vendia. O Real paga, se paga é porque está contente. Portanto, não vejo que nós, do futebol, possamos ser críticos", explicou José Mourinho, em declarações à Agência Lusa, reconhecendo: "A nível político e social pode haver outro tipo de comentários perfeitamente aceitáveis. Nós, do futebol, devemos calar-nos". Sem dramatizar a situação, o técnico do Inter Milão lembrou que "sempre houve clubes mais ricos do que outros" e que "no futebol existem sempre soluções para a crise" nos emblemas de primeira linha.
Contudo, estes investimentos de milhões não são, necessariamente, sinónimo de vitórias e títulos: "Ninguém pode provar hoje que o Real Madrid vai ser campeão de Espanha ou que será campeão europeu no próximo ano". Sobre o Inter Milão, que já assegurou a contratação do médio brasileiro Thiago Motta e do avançado argentino Diego Milito, o treinador português, que não acredita na saída do sueco Zlatan Ibrahimovic, revelou: "O equilíbrio do nosso plantel será feito com quatro entradas.
Temos duas até agora, faltam outras duas. Não é que o nosso plantel tenha uma grande volta a dar, são mais as saídas do que as entradas", referiu o técnico, admitindo que poderá começar a época sem ter o plantel fechado, algo que vê como sendo cada vez mais comum no futebol actual. José Mourinho, que recentemente afirmou que Figo tinha condições para jogar mais um ano no Inter Milão, afirmou que o clube italiano ficou a dever muitas vitórias à "confiança" que o português transmitia à equipa.
O médio despediu-se do futebol ao mais alto nível, como campeão de Itália, e Mourinho falou do que poderá acontecer no futuro do agora ex-jogador.
"Penso que, numa primeira fase, vai continuar ligado ao Inter como um homem de imagem, de relações públicas", adiantou, acrescentando:
"Transformou-se a pouco e pouco num homem de negócios, que tem a sua vida superestabilizada a esse nível. Tem a fundação, que deve ser uma 'ferramenta' para se divertir e sentir importante. Mas tenho dúvidas que ele consiga viver fora do futebol". Contudo, Mourinho não acredita que a carreira de Figo passe por ser treinador: "Não digo que não tenha competência para isso, mas não me parece que tenha disponibilidade mental. Mas vejo-o como um dirigente, a começar no Inter e a acabar noutro sítio qualquer".