A detenção de João Rendeiro e condução ao juiz de instrução para promover a prisão preventiva do banqueiro foi um cenário analisado pela investigação. O Correio da Manhã sabe que essa hipótese acabou por ser descartada depois de analisada a rotina de João Rendeiro e após os investigadores terem concluído não haver perigo de fuga.
A investigação do inquérito está centrada na recuperação dos milhões que estão em contas em 'offshores virtuais', na expressão de uma fonte judicial. Estas contas terão sido movimentadas nos últimos dias por alguns dos suspeitos, que têm em sua posse procurações para o fazer. A titularidade das contas é encapotada pelas procurações, que são o verdadeiro instrumento de movimentação do dinheiro.
O CM sabe que seguiram também pedidos de informação (cartas rogatórias) para alguns países, mas os investigadores não tencionam ficar reféns destas diligências, e querem concluir rapidamente o caso. Nas buscas realizadas na passada sexta-feira foi visado um universo de dinheiro que poderia chegar a 50 milhões de euros e, no essencial, 0s objectivos foram cumpridos. As contas-alvo eram movimentadas por João Rendeiro, Paulo Guichar e Salvador Fezas Vital, o núcleo-duro da anterior administração executiva do BPP.
Nesta fase foi atacado o património financeiro atribuído aos três suspeitos, mas os investigadores têm em sua posse uma vasta lista de outro tipo de bens que podem vir a ser arrestados. Rendeiro, tal como o CM revelou há três semanas, tem a casa da Quinta Patiño num paraíso fiscal situado no Delaware, EUA, mas possui outros imóveis em seu nome.
Em declarações à TVI, João Rendeiro negou que as contas congeladas sejam suas. 'Não tenho esses valores no BPP', afirmou aquele responsável, que negou também ter realizado qualquer acto com vista à dispersão do património, um dos argumentos invocados pela Procuradoria-Geral da República para fundamentar a decisão de apreensão dos bens dos ex-administradores do Banco Privado Português.