quinta-feira, 10 de setembro de 2009

"Agradeço todos os dias o facto de estar vivo"

Agente da PSP baleado durante uma investigação de tráfico de droga reconhece que foi por "sorte" que sobreviveu a tentativa de homicídio: a bala de calibre .38 que lhe entrou na face foi travada por um aparelho que usava nos dentes. O agressor foi solto devido a um erro judicial.

Era uma busca domiciliária como dezenas - terão sido centenas? - de tantas outras em que Paulo Esteves, 34 anos, participara ao longo dos nove anos que levava de serviço na Esquadra de Investigação Criminal da PSP do Barreiro. Nada fazia prever que, naquela noite de 7 de Maio de 2008, iria ter a vida por um triz e ficar para sempre marcado, profissional e pessoalmente. "A gente sabe que pode acontecer, mas nunca pensa muito nisso".

A sua "sorte" foi estar a usar, na altura, um aparelho nos dentes que, segundo lhe explicaram depois os médicos, lhe terá "salvo" a vida: o metal desviou o projéctil, que se alojou numa zona muscular. A bala furou-lhe o lábio, partiu o maxilar superior, destruí-lhe vários dentes e rasgou-lhe o céu da boca. O projéctil poderia ficar ali para sempre, mas Paulo já decidiu que o vai retirar em Outubro.

Esta não foi a primeira vez que o agente da PSP do Barreiro teve uma arma apontada, mas foi a mais grave. "No meio de um grande azar, tive sorte. Só tenho que dar graças todos os dias por estar vivo". A seguir ao "acidente", como lhe chama, Paulo esteve 17 horas em coma induzido e foi sujeito a uma cirurgia de reconstrução maxilo-facial. Esteve apenas dois meses e sete dias de baixa - período em que muito agradece o apoio da mulher, de muitos colegas, alguns nem sequer conhecia, e do director nacional da PSP, Oliveira Pereira, que o visitou - e não descansou enquanto não voltou ao serviço. "Esta é a minha vida e ponto final. Não sou dos que dizem 'nasci para ser polícia', mas esta é a profissão que abracei. Já ia dando a minha vida uma vez e, se for preciso, dou outra".

No caso de Paulo Esteves, o caso não é para menos. O homem que o tentou matar foi detido nessa mesma noite, apanhado com quilos de droga e 63 mil euros em dinheiro. Ficou em prisão preventiva e, ao fim de seis meses, acabou por ser libertado com termo de identidade e residência por ter sido excedido o prazo máximo para ser deduzida acusação.

Um "erro judicial" que revolta o agente e que, provavelmente, fará com que o crime fique impune.