
Entre 200o e 2005, os gestores da associação Cruzada de Bem-Fazer, uma instituição de solidariedade social, com sede no Porto, terão desviado quase meio milhão de euros. Apoderavam-se dos donativos, essencialmente os que chegavam ao infantário de Espinho. O processo foi agora concluído pela Polícia Judiciária do Porto e remetido ao DIAP para dedução da acusação. Sete dos antigos gestores estão indiciados pelo crime de peculato.
A investigação nasceu de uma denúncia anónima. No documento chegado às autoridades, os membros dos corpos sociais da instituição eram acusados de se apropriar, quer de valores em numerário relativos à gestão da mesma, quer do resultado das vendas do avultado património imobiliário detido pela referida IPSS.
A investigação que se seguiu implicou a realização de numerosas diligências, nomeadamente buscas domiciliárias às residências dos suspeitos, a inquirição de cerca de trinta testemunhas e ainda a análise de diversas informações bancárias. Ao fim de vários anos de investigação, foram recolhidos indícios do crime de peculato em relação a sete pessoas, que foram constituídas arguidas.
A Judiciária garante ainda que os dados apurados permitiram detectar desvios na ordem dos 450 mil euros. Alguns destes valores provinham de cheques ao portador emitidos pela Instituição, que, após serem levantados por testas-de-ferro, acabavam creditados em contas bancárias dos arguidos.
GESTÃO MUDOU EM 2005
A IPSS alvo da investigação tem sede no Porto, mas tem várias instituições dela dependentes, designadamente infantários e lares. Estão espalhadas por várias partes do Norte do País, nomeadamente Póvoa de Lanhoso, Vila Real, Guimarães, Espinho, Amarante e Santa Maria da Feira. Estas são as que estão em funcionamento mas já foram mais.
Segundo o CM apurou, após 2005 a gestão da instituição mudou e terá sido nessa altura que as fraudes foram detectadas, embora não tivesse sido a nova gestão a formalizar a queixa às autoridades.
O CM tentou contactar elementos da antiga e actual direcções mas não teve êxito. Nos infantários e lares estavam apenas funcionários e colaboradores. Nada sabiam sobre a investigação da PJ ao desvio de dinheiro da instituição.
PORMENORES
CHEQUES
Parte do dinheiro desviado provinha dos cheques ao portador emitidos pela Instituição, que, após serem levantados por testas-de-ferro, eram creditados em contas bancárias dos arguidos.
450
mil euros é o valor a que chegou a investigação da PJ do Porto, mas o valor total ainda pode ser superior.
Durante cinco anos, os sete antigos gestores da instituição apropriaram-se do dinheiro destinado a obras de caridade, apoio a desfavorecidos e a idosos.
DONATIVOS
O dinheiro em causa também era proveniente dos donativos de bem-feitores da associação. Poderá ter sido um destes amigos da obra a fazer a denúncia anónima à polícia.