sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Filipe Batista: o homem secreto do Governo

"Filipe Baptista?... Tenho a impressão de que sei quem é mas não me lembro.” José Lello, dirigente de cúpula do PS, começou por responder assim à SÁBADO. “Ah, claro, é o secretário de Estado adjunto do Sócrates!”, acrescentou a seguir. Filipe Alberto da Boa Baptista, braço direito do primeiro-ministro, é mais que discreto. Poucos portugueses lhe conhecem a cara. Em ano e meio de Governo nunca deu uma entrevista, apesar de marcar quase tudo o que acontece no País: aos 42 anos, tem como função manobrar cordelinhos de bastidores para pôr o Governo a funcionar. Vai às reuniões restritas do núcleo duro e participa nos Conselhos de Ministros.
“É um tipo introvertido, mas controla tudo. Sócrates gosta de trabalhar com pessoas capazes, mas que evitem que as coisas venham a público”, descreve José Lello, depois de avivar a memória. Filipe Baptista trabalha em São Bento: é o único membro do Governo com direito a gabinete na residência oficial do primeiro-ministro. Um amigo diz: “Quanto mais discreto for, mais poder tem.”
No dia em que tomou posse como secretário de Estado adjunto, poucos o notaram. Um mês antes, porém, numa noite de Fevereiro de 2005, na Incrível Almadense, Pedro Santana Lopes quase fez dele uma estrela. Num comício para as legislativas, acossado pela suspeita de fazer nomeações a mais num Governo demissionário, Santana contra-atacou: também em fase de gestão, no fim do guterrismo, Sócrates tinha nomeado como inspector-geral do Ambiente o seu antigo chefe de gabinete, um tal de Filipe Baptista. Ele fora, de facto, chefe de gabinete de Sócrates no Ministério do Ambiente, mas não tinha ganho um emprego de confiança política. Filipe Baptista tinha sido nomeado, sim senhor, mas por Isaltino Morais, ministro do Ambiente... do governo do PSD. Alguém na equipa de Santana escolhera o boy errado.
Isaltino Morais nomeou-o e José Sócrates foi à tomada de posse do amigo. “É um grande profissional”, justifica Isaltino à SÁBADO. José Eduardo Martins, então secretário de Estado do Ambiente, amigo de Filipe desde a faculdade – cúmplice de andanças pelos alfarrabistas de Lisboa –, diz que ele “revolucionou a Inspecção-Geral do Ambiente. Olha-se para o relatório de 2003 e mais que duplicou o número de inspecções e contra-ordenações”.
José Sócrates conheceu o ajudante em 1998, quando era ministro adjunto de António Guterres e precisava de um parecer jurídico. Pedro Silva Pereira, hoje ministro da presidência, recomendou-lhe o amigo e colega, assistente na Faculdade de Direito de Lisboa e que trabalhava na Provedoria. O trabalho foi tão bom que o futuro líder do PS o levaria para chefe de gabinete no Ministério do Ambiente, já era Silva Pereira secretário de Estado.


Veja aqui o video noticiado pela TVI á uns meses.