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terça-feira, 30 de março de 2010

Caso dos submarinos portugueses rebenta na Alemanha


O consórcio industrial alemão Ferrostal, ao qual Portugal encomendou dois submarinos em Abril de 2004, terá conseguido o contrato de venda no valor de 880 milhões de euros através de subornos e de negócios de consultoria falsos.

A notícia, avançada hoje pela revista alemã Der Spiegel, cita fontes da investigação. Um membro da administração da empresa já foi detido e há mais uma dúzia de suspeitos.

Segundo o relatório da investigação, um cônsul honorário português contactou um elemento da administração da Ferrostal dizendo-lhe que podia desbloquear a seu favor o contrato dos dois submarinos portugueses.

Audiência com Barroso


O mesmo diplomata terá conseguido marcar uma reunião, no Verão de 2002, com o recém-empossado Presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso. Por este motivo, acabaria por ser contratado como consultor, em Janeiro de 2003, recebendo 1,6 milhões de euros, aparentemente incompatíveis com a actividade diplomática.

Para além disso, a Ferrostal pagou mais um milhão de euros pelo envolvimento no negócio de um contra-almirante português (não nomeado pela revista alemã). Há ainda uma firma de advogados portuguesa que terá feito lobbie para que o contrato dos submarinos viesse a ser atribuído à Ferrostal.

O caso dos submarinos tem sido investigado pelas autoridades portuguesas, mas fundamentalmente por suspeitas de alegadas irregularidades nacionais. As revelações do Der Spiegel fazem nova luz sobre este complexo caso.