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sexta-feira, 26 de março de 2010

Vaticano encobriu padre pedófilo americano


Padre norte-americano não foi castigado por ter abusado sexualmente de 200 menores surdos porque o Vaticano só soube do caso passados 20 anos, quando o religioso estava já muito doente.

As explicações foram dadas, hoje, quinta-feira, pelo porta-voz da Santa Sé, padre Federico Lombardi, que recordou o "terrível sofrimento das vítimas" e que Lawrence C. Murphy, da Arquidiocese de Milwaukee, nos EUA, "violou a lei e, o que é mais importante, a confiança que as vítimas tinham depositado" no próprio.

Estas declarações de Lombardi são idênticas às que enviou previamente para o jornal norte-americano “The New York Times”, segundo o qual altas autoridades do Vaticano, incluindo na altura o futuro Papa Bento XVI, encobriram o sacerdote norte-americano num caso de pedofilia.

Os ficheiros eclesiásticos a que o jornal norte-americano teve acesso e agora tornados públicos devido a uma acção judicial contêm uma carta escrita pelo padre Lawrence C. Murphy, acusado de pedofilia, ao cardeal Joseph Ratzinger, em 1996, quando este presidia à Congregação para a Doutrina da Fé, antes de se tornar no Papa Bento XVI.

"Quero simplesmente viver o tempo que me resta na dignidade do meu sacerdócio", escreveu o reverendo Murphy ao cardeal Ratzinger. "Peço a sua ajuda neste assunto", acrescentou. Entre os documentos do processo, a que o "The New York Time" teve acesso, não consta qualquer resposta de Joseph Ratzinger. O padre Lawrence C. Murphy morreu dois anos mais tarde, em 1998, ainda como padre, acrescenta o jornal.