quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Carlos Castro deixou carta para ser lida no funeral

Carlos Castro escreveu uma carta que, por vontade sua, só devia ser aberta no dia do funeral. A missiva, deixada a um amigo, foi ontem, sábado, lida, na igreja de Linda-a-Velha, em Oeiras, nas cerimónias fúnebres. Na carta, Carlos Castro dizia: "Sinto que o meu tempo acaba".

A folha A4, com a assinatura do cronista, foi entregue a Miguel Villa - "um amigo que considero, tal como eu, amigo das boas gentes", refere o documento. A carta de Carlos Castro, lida entre lágrimas, a quantos assistiam à cerimónia no templo de Linda-a-Velha, determina ainda a entrega a Miguel Villa de um espólio com dez mil slides com muitas figuras portuguesas. O cronista revela uma enorme alegria e orgulho em ter conhecido tanta "gente notável", mas fala também em "ódio", "inveja", a amargura de um "país de gente tão cinzenta".

A carta tem por título "Para um dia..." e no final Carlos Castro vaticina a morte - "Sinto que o meu tempo acaba. Dentro em breve..."

Foi lida um ano menos dois dias depois de ter sido escrita, no dia 7 de Fevereiro de 2010. Miguel Villa associa este prenúncio de morte de Carlos Castro não a qualquer inimizade, mas a uma questão de saúde.

Irmão lamenta má relação

Na cerimónia religiosa estiveram presentes amigos e figuras conhecidas, como Lili Caneças, Eládio Clímaco e Carlos Valdez, mas também um dos irmãos de Carlos Castro, João Castro.

A última vez que estiveram junto foi em 2004, durante o funeral da mãe. João Castro quis falar sobre Renato Seabra. "Ele não era uma criança, ele estava consciente", salientou.

Apesar de afirmar nunca ter visto Renato, João Castro disse acreditar na "Justiça americana".

"O meu tio era bom, tinha a vida dele, mas era bom", disse ao JN uma filha de João Castro.

Imagens inéditas e não editadas de Renato Seabra



Imagens inéditas e entrevista com cunhado de Renato Seabra