sexta-feira, 18 de março de 2011

WikiLeaks. Japão foi avisado que centrais nucleares só resistiam a sismos até 7,0

50 engenheiros continuam em "missão suicida" a tentar conter os níveis de radiação em Fukushima

Documentos secretos da diplomacia norte-americana, divulgados ontem pela WikiLeaks, revelam
que cientistas da Agência Internacional de Energia Atómica (AIEA) terão informado o Japão, em Dezembro de 2008, de que as suas normas de segurança estavam obsoletas e que a possibilidade de sismos superiores a 7,0 na escala de Richter constituiam um "problema sério" para as centrais nucleares nipónicas. Na altura, o governo japonês comprometeu-se a actualizar as condições de segurança de todas as centrais do país, o que parece não ter acontecido tendo em conta o acidente na central de Fukushima Daiichi.

O governo nipónico terá construído um centro de resposta a emergências, mas este estava desenhado apenas para enfrentar sismos com magnitude inferior a 7,0 na escala de Richter. O que atingiu a costa noroeste do país há uma semana, contudo, foi muito mais forte, atingindo 8,9. Ontem, a situação na central, situada a 240 quilómetros de Tóquio, continuou a piorar, com os níveis de radiação a subirem para 4.000 microsievert por hora (o corpo humano aguenta exposições a 1.000 microsievert por ano).

A meio da tarde, Obama fez uma visita surpresa à embaixada japonesa em Washington, para assinar um livro de condolências e reiterar o compromisso de auxiliar o país. "Os EUA sentem grande urgência em ajudar o Japão", disse aos jornalistas.

Os 50 funcionários que continuam na central a tentar arrefecer os primeiros quatro dos seis reactores da central receberam, entretanto, da Marinha norte-americana 100 fatos de protecção e máscaras para acidentes nucleares, biológicos e químicos - equipamento que servirá para minimizar os efeitos da exposição à radioactividade. O grupo já foi baptizado de "os 50 de Fukushima" e vários artigos têm sido dedicados aos homens, apelidados de "heróis-mártires" em "missão suicida".