sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

Ex-ministro Arlindo de Carvalho acusado no BPN

Vem aí a quarta acusação do MP no caso BPN. Oliveira Costa e o ex-ministro Arlindo de Carvalho são arguidos, por causa de negócios imobiliários financiados em largas dezenas de milhões acima do real valor.
O DCIAP está a ultimar a quarta acusação no âmbito da investigação ao BPN. Estão em causa crimes de burla qualificada e fraude fiscal, em que surgem directamente implicados, entre outros, o antigo presidente do banco, José Oliveira Costa, Arlindo de Carvalho (ex-ministro da Saúde de Cavaco Silva), o sócio deste, José Conceição Neto (antigo governante ligado ao PS), e Ricardo Oliveira, um advogado que liderou uma série de negócios imobiliários do BPN / (SLN).
Segundo o SOL apurou, o valor global da burla ascende a mais de cem milhões de euros – o que faz deste processo o segundo maior em valor, dos cerca de 20 investigados pelo DCIAP no âmbito do dossier BPN.


Um dos negócios que está no centro desta investigação é a Herdade da Miséria, em Lagos – cuja propriedade era assumida por Arlindo de Carvalho, mas na realidade pertenceria à SLN.

Um negócio de ‘miséria’

Para fonte da Polícia Judiciária que investiga este caso, há indícios fortes de que Arlindo de Carvalho terá «compactuado com Oliveira Costa para tapar os buracos financeiros que este provocou no grupo, comprando imobiliário que voltaria a vender ao mesmo, com o intuito de falsificar a contabilidade do grupo SLN/BPN».
Já Ricardo Oliveira, advogado, representou o BPN e Oliveira Costa em negócios de imobiliário feitos em nome de empresas ligadas ao banco e ao próprio presidente. Quando foi constituído arguido e as suas propriedades alvo de buscas, em 2009, os investigadores ficaram surpreendidos: numa das propriedades, Ricardo Oliveira tinha uma colecção particular de 102 carros, avaliada em 20 milhões de euros, entre os quais uma viatura que pertenceu a Hitler.

Até aí, o presidente do BPN emprestava-lhe o dinheiro para entrar em negócios – sendo que se estima que Ricardo Oliveira ficava com uma comissão de 30%. Em 2004, aliás, a maior parte dos negócios imobiliários do grupo BPN/SLN estava nas suas mãos. Por volta de 2005, terá começado a ameaçar Oliveira Costa: ou este lhe dava uma certa quantia ou ia revelar como funcionava o grupo. Terá sido feito então um acordo extraordinário, que custou cerca de 100 milhões de euros – dos quais 60 milhões eram para fazer face aos seus empréstimos no BPN e 40 seriam a sua margem de lucro.
Na verdade, o banco tinha emprestado dinheiro a Ricardo Oliveira para os seus negócios particulares e também para acções sem garantias. O advogado, porém, também não quereria pagar impostos e, por isso, foram feitas várias operações fictícias com um terreno no Algarve, a Herdade da Miséria – de baixo valor e que se inseria numa zona cujo PDM não autorizava construção. No máximo, a propriedade valeria cerca de dois milhões de euros – mas foi sobrevalorizada de modo a ser ‘vendida’ por 30 milhões.
Para isso, Oliveira Costa arranjou avaliações cujos cálculos eram feitos tendo em conta um futuro projecto de campos de golfe. E, assim, um terreno que era uma ‘miséria’ passou a valer ouro.
Em vez de comprar o terreno, Oliveira Costa comprou a sociedade que detinha o imóvel e, como se tivesse as acções há mais de um ano, não pagou nada em termos de mais-valias.
A sociedade por acções não valeria mais de dois milhões, tendo passado pela contabilidade do grupo como se valesse 30 milhões de euros. Depois, para tirar este ‘lixo’ do grupo BPN/SLN, Oliveira Costa promoveu a sua venda a Arlindo de Carvalho. Este comprou a propriedade à SLN com financiamento do BPN e ao preço de Ricardo Oliveira.

 Nota de bloguista: A Golpada do BPN é a maior vergonha da História de Portugal. Meia dúzia de criminosos ligados ao Al Capone de Belém  Dias Loureiro, Oliveira Costa e Arlindo de Carvalho, figuras nos governos de Cavaco, seguiram os caminhos dos negócios sem se afastarem da política deram a maior Golpada de sempre em Portugal. Por culpa disso, os Portugueses estão a ser submetidos à mais violenta carga fiscal, cortes de salários, desemprego generalizado, miséria e suicídio de que há memória na História de Portugal.