sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

Reino Unido:Hospitais britânicos: locais a evitar!

Tratamento desumano em hospital britânico abala serviço nacional de saúde



O tratamento desumano dado a doentes num hospital britânico em nome de cortes financeiros levou esta quarta-feira o primeiro-ministro, David Cameron, a pedir desculpas por um escândalo que abalou a confiança dos cidadãos no serviço nacional de saúde, avança a agência Lusa.

No parlamento, o primeiro-ministro desculpou-se pelo que chamou de actos "verdadeiramente espantosos" de negligência praticados entre 2005 e 2009 no hospital público de Staffordshire.

David Cameron reagiu assim à publicação de um relatório em cujas conclusões se defende uma mudança "fundamental" de cultura do National Health Service (NHS) para conseguir recuperar a confiança dos cidadãos.

Segundo o advogado Robert Francis, principal responsável pela investigação, à taxa de mortalidade acima do normal no hospital de Stafford, no centro do país, o caso revela que são necessárias "grandes reformas" em todo o sistema.

Os dados recolhidos na investigação sugerem que entre 2005 e 2008 houve entre 400 e 1200 mortes acima do que é considerado normal, mas não se concluiu que todas se deveram ao tratamento dado pelo pessoal aos doentes.

Os gestores do hospital concentraram-se em cortar na despesa para cumprir as metas definidas pela tutela, mas fizeram-no à custa dos cuidados prestados aos doentes: muitas vezes, idosos ficaram horas sem comida ou água e deitados nas suas próprias fezes.

Robert Francis salientou que tal tratamento continuou anos a fio porque houve falhas "em todos os níveis" do NHS.

"Um serviço que é tão valorizado no nosso país e respeitado internacionalmente está em perigo de perder a confiança do público a não ser que todos os que nele trabalham assumam responsabilidade pessoal e colectiva para afastar as más práticas, onde quer que elas sejam detectadas", defendeu.

Uma investigação anterior, também conduzida por Robert Francis e publicada em 2010, revelou que os padrões de higiene eram tão baixos no hospital que eram as próprias famílias dos doentes que tinham que mudar pensos ou mesmo lavar sanitas.

Não havia comida ao alcance dos pacientes e os que não se conseguiam alimentar por si não eram ajudados. Alguns passaram tanta sede que tiveram que beber água de vasos.

A culpa principal, apontou, cabe aos administradores que não quiseram ouvir as queixas sobre as práticas do hospital. Mas a "falta de atenção, compaixão, humanidade e liderança" que conduziu ao "sofrimento aterrador e desnecessário" de tantas pessoas era uma cultura que perpassava por todo o pessoal.